terça-feira, 9 de agosto de 2011

Reconstruindo Muros

E aí, por alguns instantes intermináveis, é como se o seu coração parasse. Confuso, você olha ao lado e não vê mais ninguém ali. Agora é só você e o que restou dos seus sonhos. Apenas dor, nada além de mágoa. Em pedaços você prende o choro, fecha a porta e sussurra o quanto é capaz de superar tudo isso. Então respira fundo enquanto aquelas fantasias aparentemente tão reais escorrem incessantes pelo seu rosto.
A gente sempre sabe que vai passar, sempre passa. O que não conhecemos é o quão profundas as marcas podem ser. Não há certeza de se a dor realmente deixa de existir ou se simplesmente nos acostumamos com ela. E até que o tempo dê essa resposta permanecemos latejando.
Sem que ao menos se perceba, o acaso se encarrega de sepultar aquilo que insistíamos em manter vivo. E lá está você esboçando um sorriso vacilante, de sinceridade tímida. Tomado pelo constrangimento quase familiar de um silêncio que te faz bem. Diante de medos sutis e dúvidas tranqüilas. Estranhamente alegre pela maneira inesperada como os acontecimentos tem se findado.
Aprender a ter os pés no chão quase nunca é fácil pra quem desde muito cedo se alimentou de sonhos  muitas vezes tão abstratos. Às vezes é difícil afrouxar os laços com algo tão inconstante como o futuro, para estreitá-los com um presente concreto. Mas se assim não for, como reconstruir os nossos muros?
Jamais descansaremos enquanto não entendermos que não podemos ter todas as respostas, que não importa o quanto somos fortes, nossas lágrimas ainda tocarão o chão de novo, e de novo. Nunca saberemos o que nos aguarda nesse futuro incerto enquanto continuarmos tentando juntar peças as quais só o tempo é capaz de encaixar.
Em algum momento a gente entende que aquilo que é palpável pode ser tão sublime quanto o idealizado, e que aquilo que é concreto pode vir a encantar da mesma forma. A diferença é que agora sabemos que direção seguir, e que por mais instável que seja o porvir, ele chegará quando aprendermos a viver um dia após o outro. 

4 comentários:

  1. "Em algum momento a gente entende que aquilo que é palpável pode ser tão sublime quanto o idealizado"

    A gente tem uma tendência a supervalorizar o idealizado,sempre,né? É difícil deixar ir embora e prestar atenção no que é palpável,no que é concreto.

    E também é difícil reconstruir os muros,se reconstruir.

    Linda palavras.

    ;*

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  2. Sempre! Talvez achemos mais seguro, sonhar é bom sabe? Mas acho que realizar é mais satisfatório, além de menos doloroso. Chega uma hora que ou a gente aprende a viver mesmo um dia após o outro ou a vida passa e a gente nem se dá conta. AINDA estou aprendendo isso, rs

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  3. A melhor coisa é justamente conseguir se desapegar do que a gente sonha e enxergar a realidade.

    Se o sonho é bom, a realidade é mil vezes melhor.

    Melhor acordar logo pra vida,do que ser acordado por ela ;P

    Tb tô aprendendo isso,mas acho que a gente consegue sim.

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  4. Chegamos sim, a gente sempre tem uma opção. basta querer! :D

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